ARTISTA PLÁSTICA EXPÕE MANDALAS SOBRE A AMAZÔNIA

Artista plástica expõe mandalas sobre a Amazônia

VISITANDO PÁGINAS NA INTERNET ENCONTREI ESTA NOTÍCIA NO IMIRANTE.COM E ACHEI ÓTIMA.

SÃO LUÍS – O Museu Histórico e Artístico do Maranhão abre as portas para a exposição “Amazônia Sagrada: a arte da floresta” da artista plástica Ananda. São vinte e cinco mandalas que traduzem os detalhes que fazem da Amazônia um lugar único.

Há sete anos, a maranhense Ananda descobriu a arte de criar mandalas, formas circulares e perfeitas. Com cuidado, ela vai transformando as telas em verdadeiras obras de arte. O trabalho requer habilidade e atenção. Uma a uma as pedras são coladas e dão um charme a cada peça.

O artesanato maranhense é fonte de inspiração. A cultura indígena é outra marca que está presente. Para a artista, a mensagem de cada mandala esta muito além do que é visto pelos olhos: é uma viagem a alma.

O trabalho de Ananda já foi visto em exposições pela Europa, pelo Chile e, agora, as mandalas vão deixar o ateliê da artista para serem expostas ao público maranhense.

As vinte e cinco mandalas que vão ser expostas têm como intenção alertar as pessoas que é preciso cuidar da natureza e usar o que ela oferece de forma sustentável.

Mayrla Lima / TV Mirante

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Published in: on dezembro 19, 2008 at 4:00 am  Deixe um comentário  

MAESTRINA AVALIA ALUNOS DE MÚSICA

 

 

maestrina-12

A maestrina e musicista do Conservatório Brasileiro de Música (CBM) do Rio de Janeiro, Maria Antonieta Silva e Silvério, iniciou ontem (1º) na escola estadual Jovem Gonçalves Vilela, avaliação de alunos e professores de música de Ji-Paraná e região. O evento         que se encerrará na sexta-feira, foi viabilizado por meio de convênio com a Fundação Cultural de Ji-Paraná (FCJP).

O convênio autorizado pelo prefeito beneficiará inicialmente 70 alunos e professores da Escola Municipal de Música Walter Bártolo e também das escolas similares de Ji-Paraná, Jaru e Pimenta Bueno.

Ji-Paraná está saindo na frente com essas avaliações por ser um pólo da cultura musical e principalmente porque com a lei de obrigatoriedade do ensino de música nas escolas, os alunos que conseguirem o diploma técnico terão oferta aumentada as ofertas de emprego. 

A maestrina é pós-graduada em composição musical pela universidade de Berkley nos Estados Unidos. Trabalhou por muitos anos no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, de Montes Claros, MG, e atualmente leciona e responde pela parte prática dos convênios do CBM em todo o território nacional. Na quinta e sexta-feira, ela fará uma oficina de Música no Espaço Vida, da Unimed a partir das 8 horas.  

Published in: on dezembro 1, 2008 at 11:31 am  Deixe um comentário  

QUEM CONHECE O MELINHO?

capa-livro

Essa é uma boa pergunta para aqueles que passam por um senhor de cabelos brancos, sempre sorridente, com uma pasta debaixo do braço, caminhando por toda Ji-Paraná.

É uma pessoa de um coração enorme, que transborda o amor que sente pelos seus semelhantes e que, além de tudo, faz poesia e como todo bom poeta nordestino, faz poesia estilo cordel, com rimas bem rimadas qual contos bem contados.

Estou esperando um material do senhor Francisco Manoel de Melo, o Melinho, que já vi em um boneco gráfico, material esse feito em conjunto com sua esposa, Roseny Scheidegger de Melo. Já falei com ele para mandar-me, além do material escrito, uma foto do casal, para que os nossos amigos internautas e freqüentadores do nosso blog, se não os conhecem, que possam conhecê-los, pelo menos por foto.

Enquanto esse material não chega, vamos falar do primeiro livro que o Melinho fez com sua cara consorte, Roseny, cujo título é CONTEMPLANDO A VIDA. Nesse livro, o poeta deixa seu coração passear pelas memórias e pelas observações feitas, mostra-nos em seus versos a beleza da vida. Por outro lado a escritora Roseny estréia com uma história, estilo infantil, mas cheia de sabedoria, contando a vida da formiguinha Zig. Todo o livro, poesias e conto, é cheio de encanto. Dele pinçamos a poesia que dá título ao livro: CONTEMPLANDO A VIDA.

De ponto a ponto sobre aviso

a natureza mostra até no ar

sinal maior não é preciso

daqui a pouco vai começar.

Da minha parte me mobilizo

coloco a máquina para andar,

faço convite de improviso

reúno a turma para olhar.

Espetáculo lindo eu assisto agora

contemplando a vida palpitar lá fora

no extenso, livre e espaçoso vão:

no céu cinzento, já se prenuncia

depois de tudo, festa e alegria…

vento e chuva juntos

a rolar no chão.

É isso, meus amigos. Esse é o Melinho.

Esperamos, ansiosos, pelo seu próximo livro, que mostraremos, com certeza, em primeira, segunda, ou mesmo em terceira mão, mas mostraremos.

Quem vir o meu amigo de cabelos brancos, sorridente e com uma pasta debaixo do braço pergunte-lhe:

_ Diga-me, o senhor é o poeta Francisco Manoel de Melo?

Se a resposta for afirmativa, compre-lhe um livro que, com certeza, não irá arrepender-se.

Published in: on novembro 26, 2008 at 1:48 pm  Deixe um comentário  

JORNADA LITERÁRIA DO SESC

contes22

      O SESC de Ji-Paraná tem se preocupado com a questão cultural do nosso município e do Estado de Rondônia, tanto que vários são os eventos realizados por essa intituição, tanto sozinha quanto em parceria com a prefeitura, através da Fundação Cultural de Ji-Paraná.

       Há algum tempo venho enfatizando junto às autoridades desta cidade da necessidade de se promover cada vez mais a cultura, através de programas que visem a educação das nossas crianças e jovens através das artes, como o desenho, a pintura, o teatro, a música e, principalmente, a literatura, pois que está nesta a alavanca para o saber, para a cultura.

       Desta feita conversamos com a professora Ednéia Machado, do SESC, que falou sobre o projeto a ser levado a efeito neste mês de novembro, nos dias 19, 20 e 21, no Espaço Ulbra.

      O evento é a 2ª Jornada Literária, que tem como tema “Uma Viagem Através da Leitura”, que constará de uma série de cursos e palestras visando formar ou aperfeiçoar o conhecimento de professores e leigos na formação de crianças, jovens e também adultos no gosto pela leitura e pela escrita.

      A programação será a seguinte:

      Dia 19/11

       19:00hs. – Inscrições de distribuição de material

       19:30hs. – Abertura do evento e, na seqüência, palestra do professor Dr. Celso Ferrarezi, com o tema “Princípios Naturais do Gosto e do Desgosto Pela Leitura e Pela Escrita”.

        20:45. – Apresentação artística a definir

      Dia 20/11

       Das 14:00hs às 17:30

       Mini curso:

       Professor Tana Halu Barros – Prática de Contação de História

       Professor MS. Marinho – Ensino de Gramática

       Professora MS. Ednéia Maria Azevedo _ As Práticas de Linguagem na Educação Infantil

       19:30hs. – Palestra com o professor MS. Marinho – O Ensino da Gramática

       20:45hs. – Apresentação Artística a definir

       Dia 21/11

      14:30 às 17:30

        Mini Curso:

       Professor MS. Marinho – Ensino de Gramática

       Professora MS. Ednéia Maria Azevedo _ As Práticas de Linguagem na Educação Infantil

       Professor Tana Halu Barros – Prática de Contação de História

       19:30 – Palestra com o professor Tana Halu Barros “Contar e Encantar Histórias Porque Contamos, Porque Contar e Porque Contaremos Histórias”.

       20:45 – Encerramento do evento com entrega dos certificados.

Published in: on novembro 7, 2008 at 1:15 pm  Deixe um comentário  

ALDEIA JI-PARANÁ DE ARTES

 

nossa-ilha-nossa-arte-artes-plasticas 

O setor de artes cênicas da Fundação Cultural de Ji-Paraná, está divulgando a programação do projeto Aldeia Ji-Paraná de Artes, que acontecerá de 17 a 22 de novembro de 2008 no Teatro Dominguinhos, Biblioteca Municipal Cyro Escobar e na Praça da Linha Telegráfica (antiga Praça do Teatro).

A programação completa desse projeto e também das apresentações teatrais: “Lua de Chocolate” e “Brincadeiras”, que serão realizadas nos dias 10, 11, 12 e 13 de novembro na Biblioteca Municipal e no Teatro Dominguinhos é a seguinte:

ALDEIA JI-PARANÁ DE ARTES

17 a 22 de NOVEMBRO de 2008

 

Um projeto do SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO – SESC

com apoio da FUNDAÇÃO CULTURAL DE JI-PARANÁ e da ASSOCIAÇÃO DE ARTES E CULTURA 41 RIOS

 

PEÇA / MUSICAL / DANÇA

DIA

HORA

LOCAL

Café da Manhã (lançamento Aldeia 2008)

17

8h

Sesc

Lua de Chocolate (peça infantil)*

17

10h

Biblioteca Municipal

Brincadeiras (peça infantil)*

17

14h

Teatro Dominguinhos

Crime na Biblioteca (peça adulta)

17

16h

Teatro Dominguinhos

Velho é a Mãe (peça adulta)

17

17h

Teatro Dominguinhos

Jornal do Meio (peça adulta)

17

18h

Teatro Dominguinhos

A Vassoura da Bruxa (peça infantil)

18

16h

Teatro Dominguinhos

O Médico Camponês ou

A Princesa Engasgada (peça adulta)

18

20h

Teatro Dominguinhos

Palhaço Berinjela e Banda X-Bagunça

(musical infantil)

19

16h

Teatro Dominguinhos

Fragmentos (dança – adulto)

19

20h

Teatro Dominguinhos

O Circo dos Irmãos Saúde (peça infantil)

20

16h

Praça do Teatro

Os Olhos Verdes da Neurose (adulta)

20

20h

Teatro Dominguinhos

A Formiguinha Fofoqueira (peça infantil)

21

16h

Teatro Dominguinhos

O Espermatozóide Careca (peça adulta)

21

20h

Teatro Dominguinhos

O Mistério da Caixa Verde (peça infantil)

22

16h

Teatro Dominguinhos

Frei Molambo (peça adulta)

22

20h

Teatro Dominguinhos

 

 

 

 

 

* peças locais: Oficina de Teatro da Fundação Cultural de Ji-Paraná

 

…………………………………………………………………..

De 10 a 13.novembro

 

LUA DE CHOCOLATE (na Biblioteca Municipal)

– Dia 10, às 19:30h; Dia 11, às 19:30h; Dia 13, às 14:30h e às 16h

 

BRINCADEIRAS (no Teatro Dominguinhos)

– Dia 10, às 14h e às 16h; Dia 12, às 14h e às 16h

 

 

Contatos: Carlos Reis (9234.2991), Suzana Rocha (8419.4426), Sandra (9204.9343)

Published in: on novembro 7, 2008 at 4:01 am  Deixe um comentário  

SESC PROMOVE MOSTRA DE MÚSICA

 

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O SESC estará promovendo a I Etapa Mostra SESC Rondônia de Música, que, segundo a gerente da unidade de Ji-Paraná, Sandra Sílvia Ferreira, tem o objetivo de identificar as características da música rondoniense, ou seja, descobrir qual a tendência da nossa música.

Nessa primeira etapa, que será realizada em Ji-Paraná, pretende-se viabilizar a participação de músicos do interior do estado, incentivar a produção musical, promover o intercâmbio cultural entre os municípios de Rondônia, fortalecer a identidade musical regional e ainda difundir a música como um dos meios de expressão cultural.

Esse evento, denominado “Todos os Sons da Gente”, será realizado de 25 a 27 de novembro, com início às 19:30 hs no Teatro Dominguinhos, em Ji-Paraná e as inscrições já poderão ser feitas na unidade do SESC em neste município, localizada à Av. Dois de Abril, 2030, no bairro Dois de Abril e estarão abertas até o dia 7.

Poderão concorrer músicas de diversos gêneros em língua portuguesa e indígena-brasileira, músicas instrumentais, experiências sonoras, música de tradição oral e música erudita.

Published in: on novembro 6, 2008 at 4:12 am  Deixe um comentário  

É CULTURA EM JI-PARANÁ

 

 


Finalmente estamos vendo com mais freqüência apresentações culturais em nossa cidade.

Não podíamos ficar de fora, sem anunciar eventos, que estão na pauta da Fundação Cultural de Ji-Paraná e que só nos vem engrandecer.

É preciso mais educação e cultura para o nosso povo, pois só assim estaremos superando a ignorância e diminuindo a violência.

Vamos ao Teatro Municipal Dominguinhos para assistir aos espetáculos.

Vale a pena!

15/10/08 – quarta – 20:00h-  Concerto de Piano com Andressa Ferreira e convidados

16/10/08 – Quinta – 20h  – Banda Sinfônica Municipal

Local dos 2 eventos-Teatro Municipal

Imperdível!!!! Vamos nos envolver com a cultura.

Published in: on outubro 15, 2008 at 2:46 am  Deixe um comentário  

CHEGUEI PARTIDO AO MEIO:UMA PARTE DE MIM FICOU, OUTRA TROUXE COMIGO!

“No dia em que eu vim-me embora
Minha mãe chorava em ai
Minha irmã chorava em ui
E eu nem olhava pra trás” – Caetano Veloso

UMA CRÔNICA DO DAPENHA

Lembrando daquela velha canção de Rafael Hernandez, na bela versão de Lourival Faissal, que eu ouvia em meus tempos de Paraíba, hoje, ainda orgulhoso de haver nascido naquela terra de Heráclito de Almeida e

o escritor no terraço de sua casa em ji-paraná

o escritor no terraço de sua casa em ji-paraná

Dona Chiquinha e, por tabela, do  Zé Américo e Augusto dos Anjos, lá se vão trinta anos de Ji-Paraná! Itos mesmo: e assim se passaram trinta anos! Que saudades!  E para que algum coleguinha não apareça dizendo que estou arrependido, acrescento que todos foram bem vividos. Se preciso fosse, como cantou um dia o Gonzaguinha, começaria tudo outra vez.  Verdade. Não tenho de que reclamar. Estou em terra firme e os pés mais firmes ainda.

Tudo começou em julho do ano distante de 1978, quando, com a mala cheia de ilusões, aportei na cidade de Ariquemes. Era ainda um jovem com cabeça cheia de sonhos, sonhando vencer na vida – a minha maneira, confesso que venci – e conhecer outras plagas. Acabava de fazer e passar num concurso, feito às pressas, logo após receber o canudo de bacharel em direito (o advogado viria depois).

Na memória, que esses trinta anos ainda não apagaram, lembro que, diferente daquele romance do Éramos Seis, doze eram os conterrâneos convocados para manter a ordem no noviço estado que homenageava – e continua – o Marechal Cândido d Mariano da Silva Rondon, hoje, o famoso e respeitado estado de Rondônia. Era uma época que em que as ordens eram cumpridas e, sem muito esforço, todos respeitavam, e que chamamos de hierarquia.

Lembro que foi uma mudança drástica. Doeu.  Mas se fosse só um pouquinho mais experiente, não tinha doído tanto. Afinal, despedida é faca de dois gumes: dói em quem fica, e, hoje posso falar de cátedra, muito mais em que patê. Acaba de saiu de uma Faculdade (UFPB), um meio musical onde despontavam muitos artistas que hoje fazem da música o seu pão de cada dia, e jornalístico.

No universo musical as lembranças dos muitos festivais dos quais participei como intérprete e, com certeza, dei o recado que de mim esperava. No jornalístico, trazia boa experiência da Folha de São Paulo, Diário do Agreste, cidade da famosa Feira de Caruru, e, pra não dizer que não falei da terra que um dia chamei de madrasta, dos diversos jornais por onde passeis e espalhei palavras e pensamentos. Agora, imaginem os leitores. Sair de um mundo desse para, mais que de repente, me flagrar com um 38 na cintura, correndo atrás de bandidos. Pra que mentir? Como perguntaria o Noel Rosa e, lodo depois, o Caetano Veloso. Não estava nada preparado, pelo menos psicologicamente, para enfrenta essa barra.

Mas, como tudo na vida tem um lado bom, principalmente em se tratando de papel higiênico, conheci

o homem não tem raizes, tem asas para voar e conquistar mundos!

o homem não tem raízes, tem asas para voar e conquistar mundos!

pessoas maravilhosas. Confesso que jamais esquecer, por exemplo, o saudoso Professor Batalha, cujo sentimento nativista muito me deixou impressionado. Tive, ainda, nesse longo aprendizado na vida, contado com figuras inesquecíveis como o Capitão Sílvio, Ernandes Amorim, esse subdelegado por aqui, e outros que, infelizmente, vocês não conhecem, mas, acreditem: todos ficariam felizes em conhecê-los.

Em tempo: volto, amanhã ou depois, com a minha apresentação. E não esqueçam: em nosso caso, se a primeira impressão não valer, espero que valha o meu sincero desejo de ser cúmplice da leitura de vocês.

Published in: on setembro 20, 2008 at 2:09 pm  Comments (1)  

AO AMIGO FELISBERTO

Foto: Tita

Aí está ele, alegre, sorriso maroto nos lábios, como que dizendo:

“Aí, velho, nos encontramos depois!”

Carlos Felisberto era natural de Barueri, estado de São Paulo, onde nasceu em 3 de
agosto de 1946. Felisberto fez duas faculdades. Era bacharel em Ciências
Jurídicas e Sociais e também Filosofia Ciências e Letras, ambas em São João da
Boa Vista, São Paulo.

Chegou em Ji-Paraná em 1979, no dia 15 de dezembro, em março de 1980 ingressava como
professor do governo do antigo Território Federal de Rondônia.

Carlos Felisberto lecionou na Escola Júlio Guerra (1980), Escola Sílvio Gonçalves de
Farias (antigo Colégio Agrícola), foi diretor da Escola Rio Urupá, da Escola
José Francisco, vice-diretor da Escola Lauro Benno Prediger, entre outras
atividades.

Saiu por duas vezes candidato, uma para prefeito e outra para deputado estadual.

Foi casado com Jorgina Buzzatt Felisberto e deixou os filhos Veridiana Cristina,
Thales, Ana Catarina e Carlos Gabriel e os netos Bruna e Matheus.

Felisberto, como eu, era são-paulino, vibrava com as vitórias, que sempre foram muitas, e entristecia com as derrotas, felizmente poucas!

Conversávamos bastante sobre a questão da espiritualidade e ele, sempre voltado para esse
lado, colocava a sua posição à respeito.

Numa coisa sempre concordávamos, que não adianta chorar o passado, devemos construir
no presente o que seremos no futuro.

Gostava bastante de música, de boa música.

Ficávamos ouvindo Jobim, Vinícius, João Bosco, Chico Saenz, Joana, Elis, entre outros
brasileiros e nos ligávamos muito em jazz e blues. Felisberto fez-me copiar o
CD Bourbon Street, que traz uma seleção de intérpretes do jazz e rhythm &
blues, como Charmaine Neville, Davell Crawford, John Cleary e Marva Wright, que
se apresentaram naquela casa, em São Paulo.

De repente essa cara, sem nenhum aviso prévio, despede-se da gente e parte para a
outra dimensão, deixando-nos uma saudade dolente, que teima em não nos deixar.
Mas ao mesmo tempo nos dá a certeza de que está fazendo uma festa do outro
lado. Deve ter encontrado os amigos, parentes etc, que sempre fizeram parte de
sua vida e está feliz, como sempre foi, curtindo o seu novo estado e se
preparando para nos recepcionar, quando chegar a nossa hora.

Deixou o “vale de lágrimas” para estar mais junto das pessoas que ama, para poder
melhor ajudá-los em suas atribulações.

Foi-se, mas deixou lições que jamais esqueceremos, de companheirismo, de paternidade,
de amizade.

Como grande mestre que foi, deve estar se preparando para ser, na espiritualidade,
um bom aluno.

Desejamos que agora, do outro lado, a sua alegria seja plena e que possamos, daqui,
estarmos ajudando com nossas preces o seu completo desenvolvimento.

Que a sua alegria contamine os que estão agora perto de ti, porque nós ficaremos
com a sua saudosa lembrança. Lembrança dos momentos alegres, dos tristes que
passamos juntos e o lamento do tempo que estivemos distantes.

Esse era o Felisberto, a quem abraço espiritualmente e digo: “Até mais ver, meu
velho!”

Published in: on setembro 5, 2008 at 5:39 pm  Deixe um comentário  

A máquina do Tempo (Carlos Drummond de Andrade

Visitando sites educativos e culturais, como o faço quase que rotineiramente à cata de material para o nosso blog, encontrei o http://www.apolloromantic.com, que está repleto de poesias. Dali tirei esta de Carlos Drumond de Andrade, que transcrevo para os nossos leitores.

Aos amantes da poesia, vale a pena uma visita.

A MÁQUINA DO TEMPO

E como eu palmilhasse vagamente

uma estrada de Minas, pedregosa,

e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos

que era pausado e seco; e aves pairassem

no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo

na escuridão maior, vinda dos montes

e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava

e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,

sem emitir um som que fosse impuro

nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção

contínua e dolorosa do deserto,

e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende

a própria imagem sua debuxada

no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando

quantos sentidos e intuições restavam

a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,

se em vão e para sempre repetimos

os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,

a se aplicarem sobre o pasto inédito

da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma

ou sopro ou eco ou simples percussão

atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,

em colóquio se estava dirigindo:

“O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,

mesmo afetando dar-se ou se rendendo,

e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza

sobrante a toda pérola, essa ciência

sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,

esse nexo primeiro e singular,

que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente

em que te consumiste… vê, contempla,

abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,

o que nas oficinas se elabora,

o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,

os recursos da terra dominados,

e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre

ou se prolonga até nos animais

e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,

dá volta ao mundo e torna a se engolfar,

na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,

suas verdades altas mais que todos

monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene

sentimento de morte, que floresce

no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance

e me chamou para seu reino augusto,

afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder

a tal apelo assim maravilhoso,

pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo

de ver desvanecida a treva espessa

que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas

presto e fremente não se produzissem

a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,

e como se outro ser, não mais aquele

habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade

que, já de si volúvel, se cerrava

semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;

como se um dom tardio já não fora

apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,

desdenhando colher a coisa oferta

que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara

sobre a estrada de Minas, pedregosa,

e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,

enquanto eu, avaliando o que perdera,

seguia vagaroso, de mãos pensas.

© Carlos Drummond de Andrade

http://www.apolloromantic.com

Published in: on julho 20, 2008 at 4:45 pm  Deixe um comentário