CHEGUEI PARTIDO AO MEIO:UMA PARTE DE MIM FICOU, OUTRA TROUXE COMIGO!

“No dia em que eu vim-me embora
Minha mãe chorava em ai
Minha irmã chorava em ui
E eu nem olhava pra trás” – Caetano Veloso

UMA CRÔNICA DO DAPENHA

Lembrando daquela velha canção de Rafael Hernandez, na bela versão de Lourival Faissal, que eu ouvia em meus tempos de Paraíba, hoje, ainda orgulhoso de haver nascido naquela terra de Heráclito de Almeida e

o escritor no terraço de sua casa em ji-paraná

o escritor no terraço de sua casa em ji-paraná

Dona Chiquinha e, por tabela, do  Zé Américo e Augusto dos Anjos, lá se vão trinta anos de Ji-Paraná! Itos mesmo: e assim se passaram trinta anos! Que saudades!  E para que algum coleguinha não apareça dizendo que estou arrependido, acrescento que todos foram bem vividos. Se preciso fosse, como cantou um dia o Gonzaguinha, começaria tudo outra vez.  Verdade. Não tenho de que reclamar. Estou em terra firme e os pés mais firmes ainda.

Tudo começou em julho do ano distante de 1978, quando, com a mala cheia de ilusões, aportei na cidade de Ariquemes. Era ainda um jovem com cabeça cheia de sonhos, sonhando vencer na vida – a minha maneira, confesso que venci – e conhecer outras plagas. Acabava de fazer e passar num concurso, feito às pressas, logo após receber o canudo de bacharel em direito (o advogado viria depois).

Na memória, que esses trinta anos ainda não apagaram, lembro que, diferente daquele romance do Éramos Seis, doze eram os conterrâneos convocados para manter a ordem no noviço estado que homenageava – e continua – o Marechal Cândido d Mariano da Silva Rondon, hoje, o famoso e respeitado estado de Rondônia. Era uma época que em que as ordens eram cumpridas e, sem muito esforço, todos respeitavam, e que chamamos de hierarquia.

Lembro que foi uma mudança drástica. Doeu.  Mas se fosse só um pouquinho mais experiente, não tinha doído tanto. Afinal, despedida é faca de dois gumes: dói em quem fica, e, hoje posso falar de cátedra, muito mais em que patê. Acaba de saiu de uma Faculdade (UFPB), um meio musical onde despontavam muitos artistas que hoje fazem da música o seu pão de cada dia, e jornalístico.

No universo musical as lembranças dos muitos festivais dos quais participei como intérprete e, com certeza, dei o recado que de mim esperava. No jornalístico, trazia boa experiência da Folha de São Paulo, Diário do Agreste, cidade da famosa Feira de Caruru, e, pra não dizer que não falei da terra que um dia chamei de madrasta, dos diversos jornais por onde passeis e espalhei palavras e pensamentos. Agora, imaginem os leitores. Sair de um mundo desse para, mais que de repente, me flagrar com um 38 na cintura, correndo atrás de bandidos. Pra que mentir? Como perguntaria o Noel Rosa e, lodo depois, o Caetano Veloso. Não estava nada preparado, pelo menos psicologicamente, para enfrenta essa barra.

Mas, como tudo na vida tem um lado bom, principalmente em se tratando de papel higiênico, conheci

o homem não tem raizes, tem asas para voar e conquistar mundos!

o homem não tem raízes, tem asas para voar e conquistar mundos!

pessoas maravilhosas. Confesso que jamais esquecer, por exemplo, o saudoso Professor Batalha, cujo sentimento nativista muito me deixou impressionado. Tive, ainda, nesse longo aprendizado na vida, contado com figuras inesquecíveis como o Capitão Sílvio, Ernandes Amorim, esse subdelegado por aqui, e outros que, infelizmente, vocês não conhecem, mas, acreditem: todos ficariam felizes em conhecê-los.

Em tempo: volto, amanhã ou depois, com a minha apresentação. E não esqueçam: em nosso caso, se a primeira impressão não valer, espero que valha o meu sincero desejo de ser cúmplice da leitura de vocês.

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Published in: on setembro 20, 2008 at 2:09 pm  Comments (1)  

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  1. Taí Dapenha, consegui localizar o seu escrito no Blog do seu irmão. Eu sempre digo aos nossos amigos e àqueles que são meus amigos, que você é uma figura, que você transcende a si mesmo e que é um privilégio tê-lo como amigo. Esta página é humilde, mas está ao seu inteiro dispor. Cultura é pra ser divulgada e você faz parte da nossa cultura, como uma pessoa culta e como presença na história do nosso município.
    Um abração do seu amigo, Dirceu Moraes.


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